Por Murillo Camarotto, Marcelo Ribeiro e Fabio Murakawa – Valor Econômico

15/05/2018 – 17:44

BRASÍLIA – (Atualizada às 19h) O presidente Michel Temer (MDB) fez nesta terça-feira um discurso exaltando o que classificou como “muitas realizações” de seu governo em cerimônia no Palácio do Planalto para comemorar o segundo aniversário de sua presença no poder.

“Foram dois anos de muito trabalho, mas também de muitas realizações. Dois anos de muita luta, mas também de muitas vitórias. Dois anos combatendo inflação, combatendo a recessão, enfrentando todos os problemas do país. E encontrando a solução que estamos apresentando hoje”, disse Temer, diante de uma plateia de ministros, ex-ministros, deputados e senadores aliados.

A solenidade, batizada de “Maio 2016-Maio 2018: O Brasil voltou”, contou com a distribuição de uma cartilha com as principais ações e resultados conseguidos desde que o emedebista assumiu o governo. O documento dedica pouco espaço a questões relacionadas ao mercado de trabalho e à intervenção federal na área de segurança pública do Rio de Janeiro e não faz menção à Operação Lava Jato ou a medidas do governo de combate à corrupção.

O nome da cerimônia mudou: os convites distribuídos pelo governo diziam que o evento se chamava “O Brasil voltou, 20 anos em 2”, uma referência ao programa de governo do ex-presidente Juscelino Kubitschek (50 anos em 5). A frase, porém, despertou piadas e críticas, pois se retirada a vírgula, tinha-se um lema de retrocesso e não de avanço. O Planalto recuou da ideia e culpou o cerimonial do Palácio pela redação ambígua.

Em discurso no evento, Temer disse, em tom de ironia, que se sente “responsável pelas atitudes e escolhas” que fez. “Confesso diante de todos que me sinto responsável pelas atitudes e escolhas que fiz, sempre pensando em um Brasil maior”, afirmou. “Somos responsáveis e orgulhosos por tirar o país da maior recessão de sua história. Eu assumi o governo com uma inflação acima de 10% e colocá-la em 3%. Somos responsáveis por encontrar a produção industrial abaixo dos 6 pontos negativos e colocá-la acima dos 2% [de alta]. Responsáveis por encontrar os juros acima de 14,25% [ao ano] e colocá-los nos 6,5% de hoje. Ror encontrar o PIB com 3,5% negativo e colocá-lo nos cerca de 2,5% [de crescimento] de hoje.”

Dedicou especial atenção à lei que impôs um teto aos gastos públicos, chamando-a de “um legado para o futuro da gestão pública brasileira”. Citou ainda “os dois maiores superávits comerciais da história” obtidos durante seu governo.

No balanço, Temer celebrou a reforma trabalhista, que chamou de “modernização”. De acordo com ele, as mudanças reduziram a litigiosidade e abriram a possibilidade de diálogo entre patrões e empregados. Também destacou a liberação dos recursos das contas inativas do FGTS, que beneficiou cerca de 25 milhões de pessoas.

No encerramento do discurso, Temer falou de abuso de autoridade. Alvo de investigações da Polícia Federal e de uma possível nova denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente disse que o texto constitucional deve sempre ser respeitado.

 “Nós não somos autoridade. Quem tem autoridade é a lei. Somos autoridades constituídas. Quando se fala de abuso de autoridade, fala-se quando se descumpre o preceito legal”, afirmou Temer.

Pesquisa do instituto MDA divulgada ontem aponta que apenas 4,3% dos brasileiros aprovam o governo Temer, enquanto 71,2% fazem uma avaliação negativa.

Ausências

Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), não compareceram ao evento de Temer. Líder do MDB, partido de Temer, no Senado, Simone Tebet (MS) também se ausentou.

Eunício marcou sessão do Congresso Nacional para o mesmo horário da cerimônia, às 15 horas. Mas a sessão, destinada a analisar vetos presidenciais, foi aberta pelo primeiro-vice-presidente da Câmara e do Congresso, deputado Fábio Ramalho (MG). Eunício não explicou por que não compareceu à cerimônia do presidente, que é de seu partido. Por volta das 18 horas, Eunício ainda presidia a sessão sem que nenhum item da pauta ainda tivesse sido votado.

Maia, por sua vez, alegou que não poderia ir porque estava reunião com deputados na residência oficial da Presidência da Câmara. Assim como Temer, ele é pré-candidato à Presidência da República.

Já Simone Tebet alegou que estava na reunião do Congresso Nacional no horário da cerimônia – algo que não impediu que sua correligionária, senadora Marta Suplicy (MDB-SP), comparecesse.

Depois, fez uma pré-reunião para acertar detalhes de um encontro da bancada do partido no Senado com o ex-ministro Henrique Meirelles, que ocorre amanhã às 15 horas.

Líder do MDB na Câmara, o deputado Baleia Rossi (SP), compareceu à cerimônia. Ele é um aliado histórico de Temer.